Idade Maior

Uvas, castas, vinhas e videiras

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Conhecer as diferentes castas que dão corpo a um vinho é o primeiro passo para aprender a apreciá-lo condignamente.


São muitos os temas por onde poderíamos iniciar estas conversas à volta do vinho. No entanto são as plantas, a par dos solos e clima, a principal razão das ínfimas características que compõem cada vinho.
Como muitas outras plantas frutícolas, também as videiras que por aí vemos são, frequentemente, fruto da mescla de duas plantas distintas. Parecer-vos-á estranho, e é de facto, mas sem esta relação quase voluptuosa teríamos plantas contaminadas com doenças indesejadas.

Indo por partes: castas são, precisamente, os nomes atribuídos às variantes de uma planta vinífera. Cada uma tem características próprias como a cor, o tipo de bago, a folha, a adaptabilidade a climas e solos, mas também maior ou menor susceptibilidade a doenças. Determinadas pragas como a filoxera, ocorrida há século e meio, e que devastou grande parte das vinhas da Europa, tiveram como efeito o recurso a tipos de videiras sem qualidades viníferas (inaptas à produção de vinho) como porta-enxertos (planta enraizada que suportava uma segunda, acoplada).

A filoxera vinha dos solos e a resistência das raízes evitava a contaminação da planta, no seu todo. Ora, ao recorrer a estas plantas aquando do enraizamento e, posteriormente, acoplando uma outra à base desta, de qualidade superior e própria ao processo de vinificação, obtinha-se a fruta desejada e livre desta doença. A esta técnica dá-se o nome de enxertia.

Castas migrantes
Ao longo dos tempos foram-se descobrindo, mundo fora, grandes variedades de castas, de qualidades e características distintas. O vinho, cuja origem ainda está por comprovar, foi sempre acompanhando os homens e as castas fizeram a sua primeira grande migração lado a lado com as primeiras viagens comerciais dos povos oriundos da Mesopotâmia. Castas como a Moscatel ou Syrah disseminaram-se e o vinho iniciou a sua primeira globalização.

Já mais recentemente, e fruto da primazia qualitativa atribuída aos vinhos franceses, ocorreu a segunda grande migração: as velhas castas francesas - ou a França atribuídas ? foram plantadas mundo fora, numa tentativa de replicar os vinhos de Bordéus, da Borgonha ou Côtes-du-Rhône. Castas afamadas, como a Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Sauvignon Blanc ou a velha Syrah disseminaram-se, sobretudo,em países ditos do novo mundo como Argentina, Chile, Brasil, Estados Unidos, África do Sul, Austrália ou Nova Zelândia.
Tratam-se, sem dúvida, de castas de grande qualidade e adaptabilidade a solos e a técnicas de vinificação. No entanto, tendem a tornar os vinhos aborrecidos, mais iguais e sem determinadas características de tipicidade que em muito contribuem para a magia do vinho.
4 comentários
  • Nuno Roque
    21 de Novembro
    Vivo na zona de Montemor-o-Velho e queria saber que tipo de castas posso plantar num terreno de regadio e terra preta.
  • António Marques da Cruz
    19 de Janeiro
    O Sítio do Vinho (www.sitiodovinho.com) promove cursos de prova genéricos, repartidos por vários níveis, e cursos de prova temáticos, que abordam temas e vinhos específicos. Naturalmente, e dado o carácter destes cursos, as suas cargas horárias são relativamente ligeiras. No entanto, dada a diversidade de cursos e temas abordados, todos eles se complementam e, somando-se, acabam por proporcionar experiencias de prova completas e, melhor, intercaladas pela experiencia pessoal que cada um vai tendo. De qualquer forma, existem cursos intensivos de prova. Em Bordéus, por exemplo, encontrará várias ofertas de qualidade. Tratam-se geralmente de cursos de uma ou duas semanas. Dado o ímpeto da vertente de prova, num período curto mas muito preenchido, penso que são extraordinariamente violentos? mas muito curiosos.
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