Idade Maior

A temperatura do vinho

Tem que estar correcta para se poder apreciar todo o potencial de um vinho mas variam consoante vários factores. Saiba quais.


Como em quase tudo, desde a pressão dos pneus aos prazos de validade, as indicações de temperatura de quem produz devem ser tidas em conta. No vinho têm quase sempre razão de ser e essa razão é, sobre tudo, química. A temperatura resulta na forma como a evaporação é feita, na maneira como são libertos os vários aromas, na forma como o nosso palato reage ao néctar e, por conseguinte, na forma como apreciamos um vinho. A temperatura ambiente não existe, ou melhor, ocorre num determinado momento e local, pelo que nada nos diz.

Como indicadores ficam algumas observações: o frio aumenta a percepção da sensação amarga, da acidez, dos aromas perfumados e da vivacidade do sabor; as temperaturas mais elevadas acentuam a intensidade dos aromas, o impacto do doce e do álcool, reduzem a delicadeza e certa elegância dos aromas. Existem, por este motivo, tabelas pelas quais nos devemos guiar, que pode consultar em qualquer livro de vinhos, a acompanhar um termómetro adquirido numa garrafeira ou, mesmo, pesquisando na Internet.

O corpo do vinho e o seu teor alcoólico definem a temperatura de consumo: um vinho tinto encorpado revela as suas melhores qualidades a temperaturas na ordem dos 18º graus. Se este for jovem e ligeiro, 14º. Para os vinhos brancos a fórmula é semelhante: temperaturas entre os 9º e 12º.

Já os vinhos generosos consomem-se a temperaturas que deverão ter em consideração, para além do corpo, a doçura e o momento. Por exemplo, se consumidos com acompanhamento de uma sobremesa então deveremos baixar a temperatura, permitir que a acidez se revele e contraste com a doçura do vinho e do doce que este acompanha, nunca acima de 12º graus. Se se tratar de um Vintage a acompanhar queijos ou simplesmente sozinho, os 17º deverão ser suficientes. Já um Tawny, um Ruby ou um Madeira, então os 14º deverão ser ideais. Finalmente, temos os moscatéis, cujas notas predominantes são geralmente mais doces e, por conseguinte, melhores a temperaturas mais baixas.

Restam-nos os espumantes, cujos aromas e sensações se revelam melhor a temperaturas entre os 6º e 10º. ?Chambrear? um vinho faz sentido em Bordéus, numa cave a 2º, mas  não em nossas casas com temperaturas de 24º. Fique assim advertido: a lareira fez sentido noutros tempos, nas regiões Francesas de onde  importávamos modas e costumes, sem neles deslindar as causas.

Leia mais:

> Brancos, tintos ou rosés?

> Porto: um vinho com muitos estilos