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Brancos, tintos ou rosés?

Nem sempre uvas brancas dão vinhos tintos ou uvas pretas dão vinhos brancos. Mas a cor é uma das carcterísticas mais importantes do vinho. Saiba porquê.


Os vinhos tendem a ser classificados pela cor, o que, ocasionalmente, nos dá indicações sobre algumas das suas prováveis características.
Estas classificações são, inclusive, exigidas pelas comissões vitivinícolas no que a vinhos tranquilos respeita: brancos, rosados e tintos.

A influência da cor nas características do vinho advém, sobretudo, do tipo de vinificação que lhe é aplicado e não tanto da cor das uvas com que este é feito.
A polpa de uma uva tinta é geralmente branca pelo que, se durante a vinificação não ocorrer contacto entre as películas e o mosto (sumo da uva), tenderemos a ter um vinho de cor aberta pálida. Ao invés, um vinho branco com forte maceração pelicular (período em que o mosto permanece em contacto com as películas), resultará num ?branco? carregado de cores âmbares e, provavelmente, com maior estrutura que um vinho tinto ligeiro.

O período de maceração, a densidade da pigmentação da casta (tipo de uva) e as filtragens a que o vinho é sujeito são os principais factores da sua coloração. Por conseguinte, podemos ter um vinho branco ou rosado feito de uvas tintas, o que aliás não é raro. Já os rosados ou rosés, são por regra vinhos de castas tintas sujeitos a ténues macerações.

Quando a cor engana
Mas existem muitos mais casos em que a cor não corresponde à matéria-prima e engana-nos em relação ao conteúdo, ou melhor, reforça esta dicotomia. Exemplos são os Champanhes e muitos espumantes, de cor geralmente de um branco pálido e, frequentemente, provenientes de uvas tintas ou os vinhos da Borgonha, de casta Pinot Noir, produtos de rigorosas macerações peliculares desta casta tinta, com enorme estrutura e profundidade mas de cores extremamente abertas, translúcidas mesmo.

Finalmente, existem as variações cromáticas resultantes da evolução. Imaginemos um vinho branco translúcido e um tinto de cor carregada. Com o passar dos anos em garrafa teremos oxidações e precipitações das matérias corantes. O resultando extremo serão dois vinhos com a mesma cor âmbar esbatida, com tonalidades semelhantes às da casca de uma cebola.
Estas informações, a par de outras que aqui descreveremos, são peças essenciais para a escolha de um vinho.

Sugestão:
JJ Branco 2007 ? Alentejo - JJMR Sociedade Agrícola lda. - Vila de Frades - Vidigueira
Este vinho provém de vinhas velhas, implantadas na região da Vidigueira, onde a casta Antão Vaz predomina. Notas de ameixa e frutas brancas a par de agradáveis impressões florais, predominam no nariz.   Na boca é bem estruturado, revigorado por uma equilibrada acidez. Notas de citrinos e um ligeiro carácter vegetal a adornarem as primeiras impressões de nariz. O final de boca é longo e apelativo, com sugestões de pinhões.

PAI (Persistência Aromática Intensa): 7
Sugestões: queijos de meia cura, carnes brancas, estufadas ou de forno
Indispensável: sirva a 10º, consuma entre 11º e 15º.

Leia mais sobre este tema em http://idademaior.iol.pt/tempos-livres/boa-vida/a-origem-das-castas/