Idade Maior

O advento dos single malts

São cada vez mais procurados por consumidores exigentes e interessados. Conheça a história do Single Malt que lidera o mercado.


Depois de explicado o porquê da interdependência entre Maltes e Blends, chegou a altura de analisar o recente e crescente  interesse  nos Single Malts.

Como já foi referido, o whisky começou por ser de malte para o aproveitamento da cevada local. A descoberta do alambique de coluna em meados do século XIX  permitiu a explosão da oferta, ainda mais com a preciosa ajuda da filoxera que arrasou os Brandies. Conceberam-se, pois, whiskies mais suaves e acessíveis no mercado global como os Blended. Os Maltes passaram a ser componentes dos Blended e nada mais.

Mas, em meados dos anos 60, paralelamente ao consumo massificado, o boom económico fez nascer consumidores mais sofisticados que se interessavam pela variedade e pela essência das coisas. A diversidade e complexidade aromática dos Single Malts estava escondida por detrás dos Blends e havia que mostrá-la ao mercado, pois certamente surgiriam consumidores interessados. Foi o que fizeram os primeiros independent bottlers ao verificar que as destilarias não valorizavam os cascos mais especiais que tinham dentro de portas. A Gordon & Macphail foi pioneira em adquirir esses cascos que depois comercializava com a sua marca, mas evidenciando sempre o nome da destilaria. O consumidor apercebeu-se, então, que havia vida para lá dos Blends. O caminho estava preparado para o aparecimento dos Single Malts.

Empresa pioneira
E alguém teve que dar o exemplo. A Glenfiddich foi construída em Speyside, em 1886, pelas mãos de  William Grant com a ajuda dos seus 12 filhos,  mais concretamente no vale (Glen) do rio Fiddich. Em 1963, a destilaria familiar debatia-se com o problema do escasso valor gerado pelo fornecimento em massa de malt whisky para os gigantes de então como a Diageo (ex-United Disitillers). Naquela altura, entendia-se que os whiskies de malte eram demasiado intensos e aromáticos para o consumidor. Apercebendo-se do sucesso dos engarrafadores independentes, a Glenfiddich foi pioneira ao lançar, em larga escala, o Single Malt com o mesmo nome. Ainda hoje lidera o mercado,  em boa parte devido à sua capacidade para  assumir os riscos necessários.

Costumo dizer que apesar de muito grande, a Glenfiddich continua a ser ?pequena? porque:
?    ainda está na posse da família Grant, o que lhe permite ter uma visão de longo prazo focada no produto;
?    os seus alambiques são dos mais pequenos da Escócia, aquecidos segundo o método tradicional de fogo directo, determinantes para o seu carácter complexo e redondo;
?    detêm a sua própria tanoaria para a assemblage dos cascos, assim como a linha de engarrafamento junto à destilaria, podendo gabar-se de ser das únicas que integra todo o processo no mesmo local, utilizando a própria água da nascente na redução a 40º antes de engarrafar.

De entre a vasta gama Glenfiddich, escolhi a sua versão de 18 anos, porque espelha bem o estilo frutado / ácido pelas suas inconfundíveis notas a maçã. Sofisticado no nariz, mais leve na boca, revela um bom casamento dos cascos de carvalho espanhol em que estagiou Sherry com o carvalho americano e as suas notas de baunilha