Idade Maior

Regiões: para quê tanta divisão?

Num país pequeno como Portugal será eficaz, em termos de promoção internacional, haver tantas regiões e sub-regiões de origem?


O território continental português conta com oito regiões demarcadas subdivididas por 32 dominações controladas, ditas DOC. Compete a estas oito regiões demarcadas, tuteladas pelas comissões vitivinícolas de cada uma, coordenar, classificar e fiscalizar toda a produção nelas realizada. Esta divisão, porventura excessiva, deve-se a critérios de tipicidade e proximidade.

Se estes factores são eventualmente ponderosos, outros, como a dimensão do nosso país, a dificuldade em coordenar campanhas externas de divulgação e a concorrência face a produtos externos oriundos de regiões estrangeiras suportadas por produções maiores, tornam esta gestão de ?minifúndio? inapta, impotente e praticamente ineficaz. Fazer uma campanha coordenada de promoção de uma das nossas regiões numa feira internacional, numa publicação ou em meios audiovisuais, torna-se excessivamente custoso e, seguramente, pouco rentável face aos colossais investimentos de outros países.

Ora, se produzimos mais do que consumimos e ainda pouco importamos, urge agilizar. Minho, Trás-os-Montes, Beiras, Ribatejo, Estremadura, Alentejo, Terras do Sado e Algarve têm, cada vez mais, castas estandartes comuns, climas que, nalguns casos, pouco diferem e, dada a tendência de concentração, produtores a vinificar em várias regiões em simultâneo. Este problema ganha ênfase quando falamos de regiões DOC? 32 em todo o País.

Lagos, Portimão, Lagoa e Tavira são contíguas, com semelhantes clima e geologia, com areais, turistas, torres e sardinhas em comum? mas com apenas meia dúzia de produtores e, sabe-se lá por que motivo, quatro regiões distintas, em maior número que em todo o Alentejo.
Vinhos Verdes são uma destas regiões, seguramente legítima, tal como o Dão ou Porto e Douro, em nada comparáveis com, imagine-se, Alcobaça, Lourinhã, Óbidos, Alenquer, Arruda, Torres Vedras, Bucelas, Carcavelos e Colares, todas e cada uma DOC.

Imagine-se num restaurante em Bruxelas, indeciso entre um Chardonnay de Napa Valley, um Sauvignon Blanc Neozelandês, um Riesling da Alsácia, um Moscato do Piemonte e um Rabo de Ovelha da Lagoa? hipotético e inexequível mas, sobretudo, ridículo!