Idade Maior

Uma questão de idade

Na escolha de um whisky, os anos do rótulo contam...e muito. Saiba porquê.


Definidas as diferenças entre Single e Blended Malt, verificamos ainda que, regra geral,  o rótulo de um whisky menciona uma idade: 10, 12, 18, 25 anos ou mais. Mas, em alternativa,  pode mencionar um ano em particular: 1994, por exemplo. É o caso dos chamados Vintages. Então porque é que uns indicam a idade mínima e outros declaram Vintage? A questão  passa pelo objectivo da  destilaria: no primeiro caso, um produto constante ao longo do tempo e, no segundo, pelo contrário, algo variável.

A idade assinalada no rótulo terá que ser entendida como a idade mínima de qualquer dos cascos que entra no lote e não a média como é o caso do Vinho do Porto. Exemplificando, quando  vou à loja adquirir um The Glenlivet 12 anos, estou à espera que ele seja idêntico ao anterior, sendo que para tal, o Master Distiller recorre aos cascos disponíveis em estágio com 12 ou mais anos que, uma vez ?casados?, vão gerar um produto padrão.

No caso de um Vintage, o conceito, tal como no Vinho do Porto, é o de que o Glenrothes 1994, por exemplo,  é diferente do 1991 ou do 1992 que o antecederam. Não porque  a colheita de cevada nesse ano, tenha sido especial (não é suposto nem cevada, nem tão pouco o spirit variarem), mas sim porque os lotes de cascos em que o whisky estagiou são especiais.

Como consumidor, não devo esperar que o de 1994 seja exactamente igual ao de 1991 senão a Glenrothes faria um produto de idade mínima! Portanto, o ano de destilação 1994, aponta para um lote de cascos cuja maturação se iniciou naquele ano e foi engarrafado em 2006 (a parte adicional de informação que deve estar expressa para o consumidor saber a idade do lote que está a consumir).

Por fim, nem todos os produtos são obrigados a declarar a idade mínima ou o ano de destilação do lote. É o caso de um Glenrothes Select Reserve ou Isle os Jura Superstition. Aqui o Master Distiller trabalha sobre um perfil padrão que se obtém com uma determinada idade média, havendo por isso flexibilidade para lotear cascos mais novos com outros mais velhos como no Vinho do Porto.

O Glenrothes é um dos maiores sucessos da actualidade e, embora a destilaria seja conhecida desde 1879, só foi lançado enquanto Single Malt em 1987. A garrafa original, réplica das tradicionais garrafas de amostras, seguramente que também contribuiu para o êxito, mas, em boa verdade, a Glenrothes foi a primeira a apostar no conceito Vintage. Ou não fosse esta empresa  detida pela Berry Bros, famosos wine merchants de St. James Street que também são donos do celebre Cutty Sark, no qual a Glenrothes desempenha um papel fundamental.

A versão mais recentemente lançada é a de 1994 com 12 anos de casco, de bouquet frutado com notas mais cítricas a limão, excelente como aperitivo ou após uma refeição leve. Já o de 1991 com 14 anos de casco, é mais maduro, com alusão a frutos do bosque, chocolate branco e licoroso na boca, amanteigado. São produtos bem diferentes. Escolha os dois e eleja o melhor!

Leia mais sobre este tema em http://idademaior.iol.pt/tempos-livres/boa-vida/blended-ou-single/