Idade Maior

Vinhos do Porto: um tesouro a descobrir

Afamados no estrangeiro mas praticamente ignorados pelos portugueses, o vinho do Porto é uma das maiores riquezas nacionais. Saiba porquê.


Os vinhos do Porto são, seguramente, a nossa maior divisa vínica. Este facto deve-se às suas características únicas aliadas ao facto de se tratar da mais antiga região demarcada do mundo.

Comecemos precisamente pela história: estes vinhos, tal como os conhecemos, tiveram as suas origens oficializadas por alvará de 10 de Setembro de 1756, tendo ficado definidas as suas características, bem como a região demarcada que lhe dá origem. Há muito que se exportavam vinhos provenientes do Douro mas, dadas as condições de armazenamento e transporte para locais tão longínquos como a Inglaterra, sofriam de males irreparáveis que alteravam as suas extraordinárias particularidades.

Para remediar estes infortúnios adicionou-se aguardente aquando da sua fermentação e, desta forma, preveniu-se a nefasta segunda fermentação em garrafa. A adição das aguardentes resulta na interrupção da transformação dos açúcares em álcool, aumentando os teores alcoólicos para valores na ordem dos 18º e, assim, preservando parte do açúcar proveniente da fruta.

Só muito recentemente se adquiriu o bom hábito interno de consumir estes vinhos, aumentando gradualmente o consumo nacional, mas são os mercados franceses, ingleses e norte-americanos que absorvem a maior fatia da produção. As particularidades destes vinhos, reforçadas pela grande variedade de estilos, permitem-nos obter companhia ideal para um sem fim de ocasiões e pratos, desde o consumo como aperitivo, à mesa, como companheiro de sobremesas, queijos ou, finalmente, como digestivo.

Os vinhos do Porto são um verdadeiro universo de sensações, de história e prazeres. Infelizmente ainda temos um longo caminho a percorrer para os conhecer tão bem quanto outros que, lá fora, lhes fazem as devidas vénias. É por vezes confrangedor ver a forma generosa como, no estrangeiro, é acarinhado, contrastando com o desprezo com que cá dentro o miramos.
Se aceitar estas sugestões e quiser, de facto, descobrir este admirável mundo, não se esqueça de os consumir sempre abaixo dos 18º. Caso os coloque lado a lado com uma sobremesa, aí as temperaturas deverão baixar um pouco mais, para que seja a acidez, e não a doçura, a equilibrar as sensações.

Saiba mais sobre este tema no próximo artigo: Os diversos estilos de vinho do Porto.

Leia mais sobre este tema em http://idademaior.iol.pt/tempos-livres/boa-vida/porto-um-vinho-com-muitos-estilos/