Idade Maior

Vinhos para o Natal

Tradições natalícias não nos faltam e, à mesa, temos muitas. Mas todas elas regadas com vinhos variados. Saiba quais.


A diversidade de hábitos que de norte a sul compõe o nosso natal gastronómico é o mote para este artigo. Hábitos religiosos, costumes familiares, razões que provêem da escassez, produtos regionais ou modas importadas, quase tudo tem uma razão de ser mas, sejam elas quais forem, ficam seguramente enaltecidas com bons vinhos a acompanhar.

Temos bacalhau com muitos, cabrito no forno, peru assado, borrego, porco com amêijoas e, ainda, marisco nas mesas de Consoada pelo país distribuídas.

Vinhos doces como Moscatéis, Porto ou Madeira, têm tais atributos que com qualquer queijo ou sobremesa logram lugar cativo. É uma época festiva e as mesas, quando possível, ricas e bem compostas, têm espaço para as mais diversas iguarias que com estes vinhos casam na perfeição.

Imagine um queijo de Azeitão com um Moscatel bem fresco ou um Nisa com um licoroso Alentejano. Um Madeira a acompanhar os frutos secos, um Tawny a fazer-lhe concorrência, um LBV com doces de ovos ou um queijo da Serra e um Vintage? sozinho.

Depois vem o bacalhau, geralmente cozido, repleto de azeite e couves em força a acamá-lo, bebido com um tinto moderado, vivo em fruta mas bonançoso no corpo.
Já o cabrito, assado e cheio de perfumes das especiarias, bebido com aquele Bairrada que foi ficando ou o perfeito Douro, harmonioso, elegante e sumptuoso.

Do perú tenho relutância em falar mas, como os meus gostos não podem descriminar tão disseminada ave, vou fingir que gosto e usar o seu recheio para escolher cônjuge: uma Touriga Nacional, cheia de perfumes, com o Dão como proveniência.

Depois temos as carnes de porco, as amêijoas, banhadas em banha e com o pimentão como cobertura. O Alentejo deu a carne e dar-lhe-á o vinho: um branco denso, talvez um Antão Vaz da Vidigueira, fermentado na madeira que o perfumou e com aquela ténue acidez que adelgaça a gordura.

Agora vêm os mariscos, que à Estremadura vão buscar um branco aprimorado, com acidez refinada e delicada leveza.

Enfim, a riqueza dos pratos tem nos vinhos uma tal variedade de escolhas que só um enorme esforço mental consegue travar. Mas goze o momento, encontre nos vinhos companheiros à altura para estes festivos repastos que, na certa, merecem o melhor que a nossa garrafeira vai acolhendo.

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