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Cancro do pâncreas: o resistente

O actor Patrick Swayze foi uma das vítimas mais recentes desta doença. Conheça as suas características, sintomas e tratamentos.


O actor norte-americano Patrick Swayze morreu, na madrugada de 14 de Setembro, aos 57 anos, vítima de cancro de pâncreas. «Estou a passar um inferno, estou assustado, cansado e pergunto-me 'porquê a mim?'», disse na sua primeira entrevista à televisão depois de conhecer o seu estado de saúde.

Na mesma entrevista, o actor revelou que teria dois anos de vida, tempo que chegaria a não cumprir já que pereceu ano e meio depois de conhecer a doença. O cancro do pâncreas, que tem uma taxa de sobrevivência de apenas 5,5 por cento em cinco anos, é,  de acordo com o Eurocare 4, um dos cancros mais mortíferos da Europa.

As diferentes localizações
No pâncreas podem desenvolver-se tumores malignos distintos, alguns até provocados pelo próprio órgão. Em cerca de 70 por cento dos casos, o tumor surge na cabeça do pâncreas, enquanto 20 por cento se encontram no corpo do órgão e apenas 10 por cento se desenvolvem na cauda.

A determinação da localização exacta do tumor é de extrema importância, no que se refere ao eventual aparecimento de manifestações precoces, já que aumenta as probabilidades de um diagnóstico preciso e de um tratamento eficaz.

Os cancros que se desenvolvem no corpo e na cauda do órgão costumam passar despercebidos até às fases de evolução mais avançadas e, normalmente, quando são descobertos, é tarde para aplicar um tratamento curativo. Por outro lado, os que se situam na cabeça do órgão têm, por vezes, manifestações características que servem de indício para o problema e propiciam o seu diagnóstico.

Os sintomas
O cancro do pâncreas normalmente é assintomático durante muito tempo, tornando-se  evidente quando o seu crescimento obstrui o fluxo até ao duodeno das secreções pancreáticas ou da bílis.

Os sintomas surgem já em fases relativamente avançadas, podendo ocorrer ? consoante a sua localização ? uma icterícia (amarelidão da pele). A principal manifestação é a dor sentida na parte central e superior do abdómen e que se alastra até à parte central das costas. Trata-se de uma dor contínua e forte, que se mantém durante a noite e que se intensifica com o tempo.

Com o desenvolvimento do tumor, o paciente apresenta também perda de apetite, náuseas e vómitos, bem como problemas digestivos provocados pela falha da função pancreática. O que, consequentemente, origina um emagrecimento progressivo com uma significativa perda de peso. Ocasionalmente, esta constitui um dos primeiros sinais da doença.

Como tratar
Até à data o único tratamento eficaz é a cirurgia que consiste na extracção do tumor e dos tecidos adjacentes presumidamente infiltrados. Por norma, procede-se à remoção completa do pâncreas (pancreatectomia), medida que se pode complementar com a radioterapia e a quimioterapia. Depois da operação, o paciente terá de tomar durante toda a vida preparados com enzimas digestivas e medicamentos hormonais que substituem as secreções do pâncreas .

No entanto, esta terapêutica apenas é possível numa percentagem reduzida dos casos, quando o tumor ainda se encontra nas primeiras fases da doença. Na maioria dos casos (estádios mais avançados), resta apenas proceder a um tratamento de carácter paliativo, eliminando o foco tumoral e colocando sondas de drenagem para evitar a acumulação de bílis nas vias biliares, juntamente com uma medicação adequada para aliviar a dor e restantes incómodos.

Principais factores predisponentes
Existem vários factores que aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença, designadamente uma dieta rica em gorduras e proteínas, abuso do álcool, tabagismo, consumo excessivo de café, diabetes mellitus e/ou pancreatite crónica.

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