Idade Maior

Infecções silenciosas

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Podem durar anos e nunca apresentar sintomas mas provocam alguns dos cancros mais mortíferos - próstata, fígado, estômago e colo do útero.


Continuação do artigo Infecção Cancerígena


No início dos anos 70, um jovem americano chamado Dr. R. Palmer Beasley estava em Taiwan a estudar a hepatite B.

Naquele país, os níveis de incidência da doença são muito elevados. Beasley estava a trabalhar nas instalações cedidas por uma universidade norte-americana. Enquanto aprendia sobre a transmissão da doença ? de mãe para bebé, entre outras ?, tomou consciência de que Taiwan tinha também uma elevadíssima prevalência de cancro do fígado. Após mais pesquisas, concluiu que a hepatite B causava o cancro do fígado.

«As pessoas acharam que eu estava maluco», recorda Beasley, que actualmente é professor de Epidemiologia na Universidade do Texas, em Houston. «Disseram-me que era um disparate. Na altura, acreditava-se que as grandes respostas vinham dos químicos.»

Apesar de tudo, Beasley insistiu e, em 1975, começou um estudo no terreno que mostrou que o cancro do fígado ocorria quase exclusivamente em quem tivesse estado infectado com hepatite B ? a maioria dos quais não tinha qualquer sintoma de doença hepática.

Normalmente, o cancro do fígado é fatal e mata mais de 700000 pessoas todos os anos. Mas agora consegue-se contrariar essa realidade. No ano passado, uma investigação mostrou que os jovens de Taiwan entre os 6 e os 19 anos que receberam à nascença a vacina contra a hepatite têm 70% menos possibilidade de vir a desenvolver cancro do fígado do que aqueles que não foram vacinados.

Os cancros do colo do útero, do estômago e do fígado são os mais «comuns» desencadeados por infecções. Mas os mais raros ? incluindo os que afectam o sistema imunitário (linfoma de Burkitt e doença de Hodgkin), a laringe, o esófago, a pele (sarcoma de Kaposi e tumor de Merkel) ? aumentam da mesma forma. «Globalmente, 21% dos cancros estão ligados a infecções», explica o Dr. Zur Hausen, do Centro Alemão de Pesquisa do Cancro. «Isto excede mesmo a incidência de cancros ligados ao tabagismo, que é de 18%. E suspeito que ainda descobriremos mais.»

A investigação continua
Lorelei Mucci, epidemiologista e assistente de medicina na Escola de Saúde Pública de Harvard, completou recentemente um estudo sobre a ligação entre as infecções sexuais e o cancro da próstata. Os resultados de mais de 1300 indivíduos mostraram que a exposição à tricomoníase ? uma infecção sexual bastante comum ? quase triplica o risco de um homem vir a desenvolver uma forma particularmente agressiva e letal de cancro da próstata.

Causada por um parasita ? Trichomonas vaginalis ? esta infecção pode ser assintomática nas mulheres, explica Mucci. Também raramente traz sintomas para os homens. «Dura muito tempo», acrescenta.

«E causa inflamação crónica, que danifica células e tecidos, conduzindo a mutações pré-cancerígenas.» Se esta associação se confirmar em mais investigações, algumas formas de cancro da próstata podem ser prevenidas com antibióticos. «As pessoas costumavam pensar que a tricomoníase não era uma doença a sério», diz Mucci. «Agora, sabemos que devemos ter muita atenção aos seus efeitos de longo prazo.»

Por todo o Mundo, cerca de 250000 homens perdem a vida, vítimas de cancro da próstata. Só nos Estados Unidos, 4% dos homens desenvolvem formas agressivas da doença.

Por Claudia Cornwall www.seleccoes.pt

Na próxima semana saiba o que aprendemos a partir dos animais.
1 comentários
  • Ministério da Saúde
    30 de Agosto
    Olá blogueiro, A Hepatite B é uma doença silenciosa que, em sua forma crônica, atinge mais de dois milhões de brasileiros. Apesar de ser uma doença comum, nem todos conhecem as formas de transmissão ou prevenção, como a vacina, que está disponível nos postos de saúde. Para diminuir os riscos e consequências da Hepatite B, precisamos reforçar a divulgação das informações básicas. Por isso, contamos com sua ajuda. Entre em contato para receber todo o material da campanha! Muito obrigada, Ministério da Saúde comunicacao@saude.gov.br