Idade Maior

O cancro mais mortífero!

Todos os anos mata mais de três mil portugueses. O cancro do cólon e recto afecta, sobretudo, indivíduos a partir dos 50 anos. Conheça as causas e os sinais de alarme.


O cancro do cólon e do recto é a primeira causa de morte por cancro nos portugueses. Todos os anos mata mais de três mil pessoas, sendo que os números não param de crescer desde a década de 80. E a incidência tende a aumentar progressivamente com a idade: 91 por cento dos casos ocorrem em doentes com mais de 50 anos.

Quais são as causas?
As causas específicas são desconhecidas, no entanto, a evidência epidemiológica implica factores ambientais, dietéticos, hereditários, familiares e doenças associadas.

O abandono progressivo da dieta mediterrânica, rica em fibras, e o recurso, cada vez mais frequente, à comida rápida, nomeadamente a uma alimentação rica em lípidos (gorduras) e pobre em fibras vegetais, típica dos países industrializados, e a falta de exercício físico podem ser as principais causas. Também o consumo de álcool e o tabaco aumentam o risco de se desenvolver o cancro do cólon.

Os grupos de risco
A taxa de sucesso dos tratamentos em tumores detectados num estádio precoce, ainda localizado exclusivamente no intestino, é superior a 95 por cento. Por isso, a sociedade médica recomenda o rastreio anual a partir dos 50 anos, através da pesquisa de sangue oculto nas fezes.

Os indivíduos a partir dos 50 anos, com uma alimentação pobre em vegetais verdes, fibras e muito calórica, excesso de peso e sedentarismo, presença de pólipos, colite ulcerosa ou doença de Crohn ou história familiar de cancro do cólon inserem-se nos grupos de risco. E aos quais se aconselha a realização da colonoscopia e a remoção de eventuais pólipos detectados. Estima-se que a sua extracção permite evitar até 85% das mortes por cancro do cólon.

Sinais de alarme
Deverá estar atento(a) a alguns sinais que podem ser alarmantes, nomeadamente, uma alteração nos hábitos intestinais, como episódios repetidos de diarreia ou prisão de ventre, que não tinha antes, vestígio de sangue nas fezes, cólicas ou dores abdominais, sensação de que o intestino não esvazia completamente, falta de apetite e perda de peso inexplicadas, bem como súbitas sensações de fadiga.

Exames de rastreio
Existem vários exames de despiste de cancro que poderá realizar. O toque rectal é eficaz na detecção de anomalias, no entanto a sua utilidade é limitada, dado que existem lesões cancerígenas que se desenvolvem mais acima. A pesquisa de sangue oculto nas fezes é uma forma eficaz de descobrir precocemente o cancro do intestino.

Podem ainda optar por uma sigmoidoscopia, colonoscopia ou radiografia. Na primeira é introduzido pelo médico um tubo flexível de 60 cm, no ânus, munido de um sistema óptico. A colonoscopia, através de um tubo longo iluminado, permite observar a totalidade colón. Por fim, a radiografia permite visualizar o intestino através de raios-X.

Hábitos preventivos
Alguns hábitos ajudam a prevenir o desenvolvimento do cancro do cólon e do recto. Por exemplo, é importante que inclua cinco porções de fruta e legumes crus e cozidos na sua alimentação. Consuma também cereais diariamente, como pão, arroz e massa, de preferência integrais, pela sua riqueza em fibras. Limite ao máximo o consumo de gorduras e de carnes vermelhas, álcool e evite o tabaco.

Para quem tem mais de 50 anos é importante que faça os exames de rastreio, por isso, mesmo que não tenha queixas peça ao seu médico para os realizar. Caso apareçam alguns dos sinais de alarme não tarde em ir ao médico. Lembre-se que a detecção precoce pode diminuir a incidência e/ou mortalidade.

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