Idade Maior

Avós: egoístas ou livres?

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Qual o limite entre liberdade e egoísmo? Que obrigações têm os avós? Serem guardiões dos netos, em vez de desfrutarem o seu tempo livre para o que mais prazer lhes dá?


 

 

Cursos de línguas e de yoga, concertos, viagens?os avós de hoje em dia têm uma agenda sobrecarregada. Ao ponto de ser difícil conciliar uma tarde de quarta-feira com os netos. Egoísmo assumido ou desejo legítimo de desfrutar da sua liberdade, em vez de fazer o papel de baby-sitter?

« A minha mãe sempre reclamou de não ver muito as minhas filhas. Mas, cada vez que peço que fique um fim de semana, ela tem piscina, ou cavalos? », ironiza Júlia, 36 anos e mãe de duas crianças. Ana, avó, de 63 anos, assume de corpo e alma não estar inteiramente dedicada aos seus quatro netos. «Adoro-os, com certeza, mas não optei por tê-los. Adorava aliviar as minhas filhas, mas agora é a minha vez. Restam-me apenas dez anos para fazer todas essas coisas, deixadas suspensas devido aos filhos e ao trabalho ! Quero poder partir com o meu marido para um tete à tete? em Veneza sem ter que me questionar se tenho a minha neta no fim de semana».

Terão os avós da geração "baby boom", se tornado uns hedonistas egoístas, preferindo a perspetiva de uma viagem sobre o Nilo ou um curso à noite em vez de ir buscar os netos duas vezes por semana ? Segundo Nathalie Isore, psicóloga clínica e animadora de grupos de conversa da Escola de pais, em Paris, a situação é mais subtil do que parece.

Os  avós são cada vez mais solicitados, defende. São solicitados a preencher vários papéis. Cuidar dos netos, ajudar financeiramente, voz ativa quando alguns adolescentes se refugiam em sua casa porque a situação em casa está demasiado pesada. É demasiada carga para os seus ombros, por vezes já cansados. E acrescente-se as pessoas em forma, que trabalham ainda ou que acabaram de se reformar, tem o direito de pensar nelas próprias.

Especialmente, afirma a psicóloga, porque os avós de hoje são muitas vezes eles próprios o centro de famílias recompostas ou que vivem separadas dos seus cônjuges. E muitos deles colocam uma grande parte da energia no seu segundo ou terceiro casamento.

Uma preocupação saudável, de acordo com a psicóloga, uma vez que para ajudar, é preciso sentir-se bem. Quanto mais os avós são preenchidos mais os filhos e netos podem, no fundo, contar com a sua ajuda. Uma opinião partilhada por Marie- Claire Chain, psicóloga e animadora de grupos de conversa na Escola de Avós Europeus, em Paris. Ela lembra que grande números dos que vêm a estas sessões de grupo sentem-se culpados por negar certas ajudas.

Nestes momentos, a psicóloga lembra que é legítimo e necessário impor limites e dizer não. Para que as coisas corram bem é necessário compreender o cansaço ou reserva dos avós. Se é legitimo esperar uma ajuda da sua parte, não devemos esperar uma ajuda sistemática.

Instalar-se definitivamente no pedido reflete a continuação de uma posição infantil que ultrapassa, de facto, a relação pais-filhos. Os avós já tiveram os seus filhos, e o seu papel está, de certa forma, cumprido.

Essa rotina sistemática, Nicole recusa. Recentemente aposentada, 63 anos, descreve-se como uma avó alegre, disponível, que acolhe regularmente os netos nas férias.
Mas a sua devoção tem limites, admite. Assim que a sua filha lhe perguntou no inicio do ano se estaria disponível para cuidar dos seus filhos todas as noites de terça-feira até ao dia seguinte, recusou.

Imaginar-me um dia por semana presa, pareceu-lhe insuportável, para além de não encarar o seu papel de avó dessa forma. Nicole quer escolher quando e como se ocupa dos seus netos. Um desejo compreensível numa cultura onde o crescimento pessoal é uma exigência cada vez mais partilhada. Encontrar um refúgio nas ligações familiares é uma coisa, deixar-se fechar numa rede de restrições e obrigações é outra.

Fonte: www.psychologies.com
17 comentários
  • guernica
    18 de Agosto
    Como é que idosos destes podem querer que seus netos os amem ? É por estas e por outras que as famílias não se entendem e o contacto entre gerações se perde. Acho que avós que pensam assim são mesmo egoistas.
  • guernica
    18 de Agosto
    Como é que idosos destes podem querer que seus netos os amem ? É por estas e por outras que as famílias não se entendem e o contacto entre gerações se perde. Acho que avós que pensam assim são mesmo egoistas.
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