Idade Maior

Anatomia de uma infidelidade

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A infidelidade pode destruir um casamento, mas nos erros que os casais cometem estão as sementes para restaurar o amor e a confiança.


Brian Bercht, de Abbotsford, na Columbia Britânica, está deitado na cama de um hotel. Os seus pensamentos detêm-se nas últimas palavras que disse à sua mulher, com quem viveu 18 anos: «Vou deixar-te para viver com outra.»

Anne ficara estupefacta. Até Brian estava chocado com a força das suas palavras. Na realidade, ele não queria estar com esta outra mulher, mas precisava de algum tempo para pensar. E agora, apenas dois dias depois de estar por conta própria, sentia terrivelmente a falta da mulher e dos três filhos.

Conhecera Helen* através do emprego. A paixão que ela nutria pelo desporto atraíra-o. E, a princípio, nem sequer sentia qualquer atracção sexual. «Ela era uma espécie de amiga com quem eu podia dar umas gargalhadas», recorda. Depois, começaram a sair para almoçar e ele ouvia atentamente os problemas que ela tinha com o marido.

Porquê olhar para outro/a?
Por volta dessa altura, a vida de Brian passava por grandes alterações. Aos 40 anos ficou sem o pai, perdeu um grande negócio e tinha de enfrentar o desafio de criar três adolescentes. «Precisava de alguém que me admirasse, que me respeitasse e ouvisse o que eu tinha para dizer», conta ele. «A minha mulher já não me ouvia.»

Pelo contrário, Helen ouvia-o com respeito e admiração. Ela também preenchia a necessidade que Brian tinha de se distrair. «E eu não era capaz de o fazer com a Anne», diz ele. «Quando saíamos do emprego, íamos para casa fazer contas à vida, lidar com adolescentes indisciplinados e tratar dos trabalhos domésticos. Ao fim do dia, tudo o que fazíamos era ficar sentados em frente à televisão. Com a Helen, falava de desporto e divertia-me.»

Num jogo de basquetebol demos as mãos. Daí até nos envolvermos sexualmente foi um instante. Dois meses depois, Helen estava a pressionar Brian para deixar a mulher. No entanto, agora, deitado na cama do hotel, tudo o que desejava era a família. «Pensei em todas as coisas que tínhamos feito e que contribuíram para que o nosso casamento fosse divertido», diz Brian. «E não estava preparado para deitar tudo isso fora.»

Brian voltou para casa. Durante os primeiros três meses, Anne passou por um período pouco definido. Depois, vieram a mágoa e a raiva. «Discutíamos que nem uns loucos», recorda Anne. «Procurávamos desesperadamente saber o que é que tinha corrido tão mal no nosso casamento para que isto tivesse acontecido.» Tal como Anne, muitas mulheres foram enganadas. Aqui ficam alguns sinais de aviso que muitas vezes precedem a infidelidade e o fim do casamento.

Necessidades não satisfeitas
Quando Brian disse pela primeira vez que tinha um caso amoroso, Anne foi assaltada por várias questões: a outra mulher seria mais nova? Mais bonita? Mais atraente sexualmente? E a resposta, como ela mais tarde veio a descobrir, foi não.

«Quando uma mulher olha para a amante do marido, exclama muitas vezes: 'Como é que ele pode estar interessado nela?'», diz a terapeuta Willard Harley, autora do livro His Needs, Her Needs (As Necessidades Dele, as Necessidades Dela). «A resposta é: ?Muito facilmente?, porque a atracção é muitas vezes emocional. Nem sempre interessa se a outra mulher é simplória ou feia. O que interessa é que ela preenche uma necessidade não satisfeita.»

A terapeuta descobriu ainda que aquilo de que a mulher mais precisa é de afecto, diálogo, honestidade, abertura, apoio económico e empenho familiar. No caso dos homens, é a realização sexual, companhia para a diversão, admiração e apoio doméstico. «Estas necessidades são tão fortes», continua Harley, «que, quando não são satisfeitas num casamento, as pessoas têm tendência para as satisfazer fora dele.»

Embora Anne respeitasse e admirasse o marido, nem sempre o demonstrava na forma como comunicava com ele. «Quando o Brian vinha ter comigo com coisas que não lhe agradavam na nossa relação, eu punha-me na defensiva e dizia: ?Não, isso não é assim. Estás enganado.?» «E mais», refere Brian: «Quando eu lhe dava um conselho, ela ouvia e depois ia ter com outra pessoa que lhe dava o mesmo conselho. Depois, vinha ter comigo e comentava: ?Fulana disse que eu devo fazer isto?. Parecia que valorizava mais o que as outras pessoas diziam do que aquilo que eu dizia.»

Divertimento a dois
Helen também satisfazia a necessidade que Brian tinha de se divertir. «Um dos sinais que pode levar à infidelidade é quando um casal já não se diverte», afirma Beth Hedva, terapeuta do casamento em Calgary e autora do livro Betrayal, Trust and Forgiveness (Traição, Confiança e Perdão). «Isso acontece porque estamos tão embrenhados a viver as coisas do dia-a-dia que perdemos a alegria de viver.»

Depois de terem gritado e discutido muito, Anne e Brian identificaram aquilo que podia ter corrido melhor na relação. E agora, três anos depois, o casamento está mais forte do que nunca. Reorganizaram as vidas e orçamentos de forma a incluir entretenimento. «Estamos sempre a tentar coisas novas e emocionantes», diz Brian. «Fazemos descidas radicais no rio, jantamos fora em bons restaurantes, fazemos férias improvisadas e vamos juntos ao ginásio.»

«Assim que o nosso parceiro/a souber satisfazer as nossas necessidades», conclui Harley, «a tentação de procurarmos alguém para as preencher será muito pouca.»

Por Line Abrahamiam www.seleccoes.pt

Continua no próximo capítulo: Namorar na Internet
1 comentários
  • Fernanda
    13 de Abril
    Au acho o fim uma traição. Se ele a traiu, porque voltou? Se eu o amasse até aceitaria ficar com ele, porém morando em lares separados, e sendo apenas amantes/amigos. Ele quis sair da relação, saiu, a fez sofrer e depois voltou, ou seja se arrependeu porque a outra não tinha o que ele buscava.Eu o aceitaria como namorado, e quando as coisas estivessem caminhando a todo vapor, ele se sentindo bem eu arranjava algum amor e pagava na mesma moeda: queria ver se se teria capacidade para perdoar e me aceitar de volta: sim porque se me aceitasse nessas condições é porque também me ama.